O motor zumbe tão alto que o painel de instrumentos vibra sob as mãos. Isto não é simulação — é tortura auditiva com pretensões militares. Comanche CD é um simulador de helicóptero de ataque de 1994, época em que bastava amarrar uma metralhadora a qualquer coisa para o marketing chamar de "jogo".

Sentado no cockpit de um Apache (ou coisa parecida), o objetivo é simples: sobrevoar desertos monótonos, encontrar alvos e reduzi-los a cinzas antes que a inteligência artificial — que tem a sensibilidade de um tijolo — te coloque na mira. A câmara oscila entre vista frontal e lateral, o que dá autenticidade de simulador profissional e consegue ser irritante. Diferentes armas estão disponíveis: mísseis, foguetes, metralhadora. Teoricamente oferece variedade táctica. Na prática, carreg-as em tudo que se mexe e esperas que acertes.
O problema é que Comanche CD sente-se como uma simulação comercial truncada, feita em consultadoria com o exército e depois podada até à morte para ser "jogável". Os controlos são rígidos, o mapa infinito mas completamente vazio — apenas areia e uns quantos inimigos aleatórios — e não há progressão real. Completas missões, volta para a base, missão seguinte. O feedback de combate é morno; as explosões parecem clips de vídeo antigos em vez de reacções físicas. Os gráficos são deprimente, mesmo para 1994. Texturas cinzentas, modelos poligonais que parecem blocos, e uma distância de render que transforma o horizonte numa parede de nevoeiro.
O que permanece na memória não é diversão, mas aquele incómodo — como quando tentavas voar recto e a câmara decidia rodopiar, ou quando o sistema de mira te betrayava porque estava programado por alguém que nunca tinha visto um videojogo. Comanche CD representa essa obsessão dos anos 90 de colocar "realismo militar" acima de "é isto divertido?"
Se procuras autêntica simulação de voo, há opções muito melhores. Se queres um jogo de ação baseado em helicópteros, existem títulos que entendem o que significa diversão. Comanche CD fica no meio, satisfazendo ninguém — nem o jogador ocasional nem o entusiasta de simuladores. É preservação histórica num emulador, nada mais.