Meia segundo. É literalmente o tempo que tens para reagir quando um miúdo sai voando pela janela do prédio em chamas. Bouncing Babies, de Dave Baskin em 1984, é tão absurdo na sua premissa que nenhum estúdio moderno teria coragem de lançar isto sem crise de relações públicas.

A mecânica é simples até ao ponto de ser hipnótica: apanhas bebés que caem de um edifício com uma espécie de trampolim que controlas com o teclado. Cada um que se escapa suma-se da conta. Quando cais uns quantos, game over. CGA significa apenas quatro cores — verde, magenta, ciano e preto — e aquela resolução que faz tudo parecer construído em blocos de Lego. O som? Um piar constante do PC speaker que não é música, é um aviso de guerra.
O que torna isto viciante é a falta de margem para erro. Não há animações suaves, não há segundas chances onde não deviam haver. A física é básica e imprevisível, os bebés quicam de forma estranha, por vezes chegam de ângulos onde não os esperas. Tens de estar atento o tempo todo, porque o monitor CGA já é difícil de ler e a velocidade vai aumentando até ficares desesperado.

Bouncing Babies é um dos primeiros exemplos daquilo a que chamavam arcade clássico no PC — rápido, refinado, sem folclore. Não conta histórias, não tem cutscenes, é apenas tu contra o relógio e o reflexo. Num tempo em que jogos de computador ainda pediam desculpas por não serem consolas, isto era pura adrenalina condensada em dados.

Zestou mal porque tudo envelhece em pixel art de CGA, mas o núcleo permanece intacto. Se conseguires ignorar o zumbido do speaker e a resolução que obriga a esforço visual, há ali um jogo que ainda te faz suar as mãos. Para quem cresceu com 386 e 486, é uma viagem direta aos 80s. Para curiosos de hoje, é uma aula de como fazer tensão com o mínimo possível.