Quando o filme chegou aos cinemas em 1989, ninguém duvidava que seria sucesso. Keanu Reeves sussurrando "Be excellent to each other" era garantia. Um ano depois, Off The Wall Productions lançou a aventura para MS-DOS — e aqui começa a história de como licenças de cinema viram videojogos sem alma.

Bill e Ted estão presos em 1990, precisam viajar pelo tempo para coletar personagens históricos e passar no exame de história. A premissa é claramente tirada do filme, com toda aquela loucura de máquina do tempo que é suposto ser divertida. Graficamente, os personagens são reconhecíveis — aqueles pixéis moles dos primeiros anos de DOS, telas estáticas. Mas reconhecível não é a mesma coisa que interessante.
A jogabilidade é pura aventura pointer-and-click, aquele ritmo lento onde clicas em cada canto da tela esperando encontrar algo relevante. Não há pressa, não há tensão. Colecionas itens, falas com NPCs que repetem diálogos genéricos, avança. A interface é desajeitada — nem fluida como as melhores aventuras da LucasArts, nem inventiva como as da Sierra. É funcional, nada mais. Os puzzles são previsíveis: pega isto, usa ali, fala com aquele personagem. Ninguém sentiria entusiasmo em resolver estes "enigmas".

O que esta fera representa é exatamente o que matou tantas licenças na década de 1990: publishers viam filme com público, viam oportunidade de vender caixas, contratavam programadores baratos. O resultado era sempre a mesma coisa — um produto que explorava o nome mas ignorava o que tornava a obra original divertida. Bill and Ted no cinema é caos, humor absurdo, energia juvenil; Bill and Ted no MS-DOS é clicar em pontos cinzentos enquanto esperas que algo aconteça.

Hoje é artefato histórico, nada mais. Se queres experimentar, está disponível em emuladores online, corre em qualquer navegador moderno. Meia hora é o suficiente para entenderes por que as licenças de cinema raramente geravam jogos memoráveis. O tempo passou muito bem, e esta aventura envelheceu ainda pior.