O uniforme vermelho e os cabelos loiros do Comandante Dan Dare saltam da tela do Commodore 64 como se alguém tivesse metido um herói de banda desenhada britânica direto num cartucho. A Gang of Five fez exatamente isso em 1986 — pegou numa personagem lendária e transformou-a numa aventura de plataformas ao estilo britânico, aquele que VocĂŞ conhece das primeiras tentativas de adaptar heróis dos quadrinhos para máquinas de 8 bits.

Dan Dare é um jogo de ação visto de lado, onde atravessas ecrãs interligados atirar a inimigos, apanhar objetos e procurar a porta para a fase seguinte. O cenário é uma nave ou fortaleza futurista — o tipo de coisa que faz sentido para um piloto espacial — e o ritmo é frenético. Saltas entre plataformas, disparas em cima de robôs e criaturas estranhas, evitas projéteis. Nada inovador para 1986, mas a execução tem uma certa personalidade rígida: o controlo é direto, os inimigos aparecem em padrões previsíveis e o desafio cresce de forma simples mas eficaz.
O que estraga tudo é a dificuldade repentina. Começa contigo a achar que dominas o jogo e de repente aparece uma fase onde morreias a cada dois segundos. Sem checkpoints, voltavas ao início. A música do Commodore toca a mesma melodia uma e outra vez — não é desagradável, mas aos quinze minutos já a querias desligar. Os gráficos são nítidos e coloridos, tal como o Commodore 64 sabia fazer, mas depois de vários ecrãs começas a notar que tudo se repete e que a variedade visual vai morrendo.

Dan Dare marcou presença porque era Dan Dare — um personagem britânico já estabelecido tinha o seu peso na altura. Hoje, a nostalgia sustenta a memória mais do que o jogo em si. É uma aventura sólida de meados dos anos 80, feita com competência mas sem nada que a torne memorável passado o primeiro quarto de hora.

Se quiseres reviver o Commodore 64 e tens paciência com saltos imprecisos e dificuldade estouvada, merece uma tentativa. A história de Dan Dare no ecrã vale pela curiosidade histórica — ver um herói de comic britânico traduzido em pixéis é sempre interessante. Mas aviso: isto não é a aventura do século. É apenas um testemunho de como os anos 80 levavam a sério a qualquer licença com nome.